Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens

sábado, 5 de abril de 2014

Sou Homem

Abro aqui um espaço para outro autor como forma de exercer minha responsabilidade social!

Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô.

Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.

Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança.

Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai esse danadinho" - era o que eu ouvia.

Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Juninho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia.

No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar.

Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas.
Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas.
Atualmente continua assim.

Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel.

Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil.
Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa.

Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar.
Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo".

Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo.
Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira.
Ninguém demoniza meus orgasmos.

Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira.
Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais.

Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem.
Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito.

Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia".
Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva.
Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.

Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.

Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso.
Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa.
Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar.
Ninguém tenta regular minhas roupas.

Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé.

Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria.

Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço.

Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão.

Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada.
Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo.

Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser.
Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas.
Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.

Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.

Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes.

99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral.
Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs.
Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo.
Ninguém nunca vai me julgar se me ver lendo literatura erótica.
Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.

Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem.

Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela.
Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito.
Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável.

Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos.

Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo.
Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado.

A sociedade não encara minha virgindade como um troféu.

90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência.

Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”.

Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook".
Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade.
Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.

Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar.

Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói.

Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem.

Nunca apanhei por ser homem.
Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem.
Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem.
Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem.

Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem.
Ninguém diz que não posso beber por ser homem.

Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida.

Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios.

Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem.

Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!”

Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”.

Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”.

Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto.
Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa.

Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem.

Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza.
Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja.

Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso.

Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação.

A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”.

Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não.

Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação.

As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado.
As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil.
As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito.

Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo.
Não minimize uma dor que você não conhece.


Autora do texto: Camila Oliveira Dias

Compatilhando texto editado no FACEBOOK
================
Patrocinado:

Leia os livros eletrônicos de Borges

 Clique e Compre! As Grutas de Spar

 Clique e Compre! (Texto Adulto)                

domingo, 23 de dezembro de 2012

OS CHATOS NATALINOS!

Você já reparou como as pessoas ficam chatas com a chegada do natal. Ficam melosas. Participam de tudo com um espírito mais fraterno. Confraternizam-se com familiares e amigos, alguns que durante todo ano não viu nem deu um telefone, ignorando-os totalmente. As pessoas ficam melosas, carinhosas, próximas. Os seres humanos ficam mais humanos, são mais famílias, valorizam as amizades, estão, em fim, mais próximos.
Você também notou?
Acho que é por isso mesmo que sou apaixonado pelo natal. Como uma data especial para algumas religiões pode, pelo menos no Brasil, envolver todos os indivíduos num mesmo clima, independente de suas religiões. Mesmo os que não aceitaram o Cristo como o messias de Deus, e até mesmo os que não creem em divindades, se contaminam neste clima fraterno e notamos que o mundo poderia, só mantendo este clima por mais 52 semanas, ser muito melhor, mais humano, mais fraterno, mais equilibrado, mais igualitário e menos injusto e egoísta.
Por isso, para todos vocês, e em especial para você que me lê agora, desejo que o clima do natal se infiltre de forma definitiva em sua mente, em seu corpo. A teoria das massas dita que o comportamento da raiz quadrada de um por cento de seus componentes dita seus rumos. Assim tenho esperanças que se você também for definitivamente contaminado pelo espírito de natal, fazendo-o perdurar por todo ano de 2013, teremos muitas surpresas nas próximas festas natalinas.
Eu vou tentar fazer a minha parte e convoco a você, leitor amigo, a juntar-se a mim neste esforço que não será simples nem leve, mas poderá ser definitivo em nossas vidas e nas vidas dos que nos cercam!

EM TEMPO:
CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Terminamos um ano, mais uma vez, envaidecidos de sermos brasileiros. Mas, no pagar das luzes, talvez acreditando nos cataclismos previstos para 21/12/2012, o Poder Legislativo mais uma vez claudicou.
As demonstrações de incompetência na gestão dos poderes, que o povo os emprestou com seus votos, são incontestes.
Quis alegar a independência dos poderes para negar ao Poder Judiciário a capacidade de julgar atitudes comprovadamente criminosas praticadas por seus pares e deferir-lhes penas. Ora, é justamente para que ninguém possa ficar acima das leis que existe o Poder Judiciário e a Constituição prevê a prerrogativa do Supremo Tribunal Federal para julgar quaisquer dos representantes de quaisquer dos poderes.
Assim agindo o Congresso Nacional e seus dirigentes no Senado ou na Câmara vão de encontro ao desejo de seus eleitores que assinaram uma procuração de representação mas que não foi papel em branco, esta procuração tem os limites constitucionais.
E ainda tem mais. Esquecendo que o Poder Legislativo é o responsável pela elaboração da Constituição da República Federativa do Brasil, mas que em assim sendo deve se render ao seus ditames, quis, por ganância, e não apenas por ambição de melhor exercer seu mandato em defesa dos estados que representam, vetar justo e legal veto que manteve o respeito aos contratos já firmados evitando assim que a legislação dos Royalties pudesse ter sua constitucionalidade questionada.
Foi além, quis mais uma vez negar ao Poder Judiciário de se manifestar em razão de matéria puramente jurídica.
Assim agindo o Congresso Nacional expôs ao povo, de quem emana seus poderes, a incompetência na gestão das próprias regras das casas e do Congresso. Ora, o prazo para avaliar vetos é de 30 dias e anos e anos se passaram sem que o Poder Legislativo fizesse seu dever de casa, e numa semana audaciosa e ambiciosa pretendiam sobrepujar o mandato recebido por nós fazendo-nos engolir a apreciação em uma única seção mais de 3.000 vetos.
A impossibilidade se comprova simplesmente. Apenas para ler as mais de 400 páginas de índice dos vetos a serem apreciados, lendo-se uma página em 3 minutos, levariam apenas 20 horas. A votação, prevista para acontecer sob sigilo – eu não quero nenhuma votação sigilosa - acredito que 70% dos brasileiros também não queiram – respeitem o nosso poder – em cédulas de papel, se durasse apenas 10 minutos para votar, 10 minutos para recolher, 10 minutos para votar, corresponderiam a 30 minutos por veto apreciado, como eram mais de 3.000, vamos arredondar: 3.000 X 0,5 hora = 1.500 horas, ou seja, todo o processo não terminaria em menos de 1520 horas.
O Congresso Nacional queria mostrar ao país, e a cada cidadão que emprestou seu poder aos representantes daquelas casas, que em uma única seção votaria conscientemente o que, de forma irresponsável, levaria mais de dois meses de seções de 24 horas ininterruptas.
Mostrou mais, ficou certo que não estão dando conta do trabalho acumulado. Ora, como então recebem tão altos salários, possuem tantas férias, trabalham tão poucos dias na semana, e tão poucas horas por dia?
Não quero Deputado Federal nem Senadores estafados, peço apenas 30 horas semanais em turno ininterrupto de 6 horas por dia, de segunda a sexta-feira, como tantos trabalhadores do país. Percebam que os mais qualificados e até mesmo os donos de seus próprios investimentos (empresários) trabalham muito mais que isso!
Está na hora da sociedade sair da ostra do egoísmo e buscar não apenas o que lhe contempla, mas mudar a sociedade mudando nossos representantes que não respeitam nossa honorabilidade, honestidade, produtividade e anseios. MANIFESTEM-SE em todas as REDES SOCIAIS!
Ainda assim desejo a todos, inclusive aos responsáveis pelos Três Poderes de nossa República, uma Natal repleto de paz e felicidade no seio de suas famílias e entre seus amigos.
Desejo mais, a todos nós um 2013 mais produtivo, com mais sucessos, mais responsabilidade e compromisso com o futuro, e com muitas, muitas realizações positivas para a sociedade em qualquer coletividade.


Borges.RJ
Contador de Histórias
borges.rj@globo.com

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Também quero RECLAMAR

Existem momentos na vida d’agente que nos sentimos derrotados e ineficazes, tudo nos escapa escorrendo entre os dedos. O que fazer?
Não! Não estou aqui para responder! Estou aqui para perguntar!
Eu, por exemplo, sou chefe de família, filho único, pai de duas filhas e feliz ao lado da mulher que escolhi aos 15 anos (estou com 56, esqueçam...). Meu padrão de vida, se não é excelente, me permite viver com conforto e dar conforto aos que me cercam.
Minha mãe: Está com 81 anos, integra, inteira, uma “perua” de tão bem vestida e ativa como sempre foi – mas já não consigo satisfazer seus anseios.
Minha esposa ainda troca juras de amor comigo, mas já não consigo ser o marido ideal que sempre fui e ela aguarda pacientemente meu “retorno”.
Minhas filhas sempre me ouviram, acataram e avaliaram seus passos pelas minhas breves observações. Nunca buscaram conselhos certamente por conta da própria formação. Ambas na faixa dos 30 anos, solteiras, profissionais liberais com nível superior e suas extensões. Mas hoje já não me sinto nem o porto seguro nem a voz da razão. Só que o caminho que segue me parecem atalhos e temo que abandonem a estrada da felicidade.
Minha renda sofreu nos últimos seis meses ataques significativos das chamadas despesas extras e inesperadas e meus rendimentos estão emperrados nas burocracias da vida normal sem qualquer surpresa.
Em fim: sou o mesmo, continuo sendo feliz, nada me falta...
Mas o futuro que antevejo como consequência natural dos fatos que agora ocorrem me assusta. E o que é pior, o mundo não acaba em 21/12/2012 e terei que enfrenta-las e não sei se tenho cacife para tanto. Espero que as coisas comecem a se ajustar, que os que amo revejam suas trilhas e busquem a estrada principal. Até lá, lá vou eu de rosto irritado por uma alergia às aporrinhações, com contas atrasadas, com saldo no vermelho e deixando, como diz Zeca Pagodinho, a vida me levar.
Mas não fiquem tristes por isso porque quando olho pro lado, quando percebo que sou brasileiro, me vejo numa nação que prospera e evolui sem mais buscar a guerra, vejo meus amigos, problemáticos como eu, cheios de esperança e perseverança e vencendo o cotidiano. Vejo os enfermos buscando e conseguindo restabelecimento de sua saúde (pelo menos a maioria), vejo a renda dos meus pares aumentar num fenômeno de distribuição de riqueza nunca por mim presenciado e vejo os que mais reclamam enriquecer.
Sim, estou reclamando, essa pode ser a receita para se ficar rico como alguns amigos estão ficando – cada vez que reclamam – mais e mais!


Borges.RJ
Contador de Histórias
borges.rj@globo.com

quarta-feira, 25 de julho de 2012

NÃO EXISTE namoro entre Raí e Zeca Camargo!

-->
O fenômeno INTERNET vive de cliques e da vaidade humana. A busca de realização pessoal e financeira faz com que – sem pensar nas consequências – quem publica conteúdo busque a “descoberta” ou “recordes de acesso”. Da mesma forma agem os incompetentes que usam como ferramenta os boatos polêmicos tentando consolidar sua posição profissional ou comercial.
Na busca de popularidade alguém afirmou que Raí abandonou a família por estar namorando o Zeca Camargo. Juntar ícones do mundo do esporte e da principal emissora de TV não é nenhuma fórmula rara, muitos tentaram. Alguns com sucessos estapafúrdios!
Quem confirmou? Quem negou? Quem testemunhou? Quem fotografou? Quem provou? Num mundo repleto de inverdades joga-se aos leões da natureza humana muitas vidas.
Além dos ícones, seus familiares trabalham, estudam e convivem com toda a sociedade que é ávida por novidades e se apressam em julgar e divulgar tudo que a destaque como pessoa antenada. Isso sem falar no famoso termo “bullying” que também vem movimentando a mídia que parece ter descoberto a pólvora!
No caso em pauta muitas toneladas de “pitadas de maldade” fizeram proliferar notícias sem fontes seguras. AI tem muito de inveja de machos e despeito de fêmeas. Todos sabemos. A “Vitrine Qualquer Coisa” (não vou divulga-la – é óbvio) chegou a postar a existência de foto do casal homossexual só para angariar “curtir” no facebook – que mede a popularidade das páginas. E olha que a “vitrine” já havia abusado ao apelar para o nome de uma santa! É uso, abuso e muito mais em busca de visibilidade que no meu caso se traduziu em desprezo!
Para piorar, buscando interromper a propagação, a Globo resolveu evitar constrangimentos aos dois ícones. A notícia vazou e a situação deles ainda piorou pois um ato preventivo passou a valer aos maledicentes como confirmação de fato.
Fosse verdade o namoro de Raí com Zeca Camargo, minha responsabilidade social impediria, a mim, obter qualquer retorno de uma informação tão pessoal. Fico imaginando o caráter e a personalidade de cada um dos que usaram um falso boato – como todo viciado em sua própria vaidade, egocentrismo e necessidade de exposição e reconhecimento público – tentando desculpar a si mesmos ao tentarem dar conotação de notícia a uma questão de fórum íntimo do indivíduo!
Lembro então a máxima que apoiada na lógica cristã determinou que a “Minha liberdade termina quando começa a de outrem!” Vamos repudiar tais notícias – mesmo que verdadeiras fossem – tecendo comentários dignos de formadores de opinião. Só não polemizem com os ignorantes que se pronunciaram cheios de preconceitos...
Certo, sempre certo, está o atualíssimo Albert Einstein que perplexo, ainda no século passado sentenciou que é mais fácil atualmente quebrar um átomo do que um preconceito!


Borges.RJ
Contador de Histórias
borges.rj@globo.com

terça-feira, 12 de junho de 2012

Preferia não ter visto!

Fiz segredo! Quem não faria segredo em uma situação tão embaraçadora?
Meu irmão casara com uma paulista erradicada no Rio de Janeiro. Não teve papéis nem cerimônias, mas moravam juntos e por isso estavam casados.
Foi um susto ver minha cunhada abraçada e sorridente entrando num restaurante perto do aeroporto com outro homem. Fiquei num impasse: meu irmão deveria ou não ser informado daquele encontro alegre e furtivo?
Se em mim doía ver aquele casal tão feliz junto. Doía ainda saber que a felicidade deles seria o desespero e uma dor maior que a minha para meu apaixonado irmão.
A família ficaria estarrecida... Conto? Não conto? Passei a tarde assim aflito!
A aflição aumentou ainda mais quando minha cunhada convidou a família para jantar na casa do casal. Como encará-la e calar? Como encarar meu irmão e não contar?
Ela era a infiel e eu estava entre a covardia e sei lá que sentimento.
Se eu contasse...
Se eu não contasse...
O que fazer? Achei melhor não ir ao jantar.
O expediente acabou e indócil lá fui eu a um barzinho num conflito interno inimaginável naquela manhã. Como eu estava feliz naquela manhã! Era sexta-feira e o fim de semana prometia ser divertido. Iríamos passear em família em Itacuruçá, passear de saveiro, comer peixe fresco com camarão, tantos planos e aquela ingrata se deixou pegar com seu amante. E eu era testemunha de sua intensa felicidade...
Resolvi ir ao jantar!
Cheguei taciturno, fiquei calado em meu canto, um olhar de ódio que eu desviava de minha cunhada para que ela não percebesse minhas decepções e meu conflito injurioso.
Todos já haviam chegado e ela alongava aquele encontro sem servir o jantar...
A campainha toca e ela entrega uma champanhe na mão de meu irmão e corre para abrir a porta e para minha surpresa, ali, diante de todos, se joga nos braços de seu amante!
Hein! Que mundo é esse! Ela teve a desfaçatez de trazer o amante para um jantar de família e ninguém sequer demonstrou espanto?
Em meio aquele mal-estar inexplicável com palavras já estou de pé e sinto meu corpo cair na poltrona quando com dificuldade decifro as palavras de minha cunhada:
- Este é meu irmão, chegou hoje do exterior, almoçamos juntos e acomodei ele num hotel por insistência dele mas não podia deixa-lo fugir de uma apresentação formal a minha nova família.
Meu irmão estava abrindo o champanhe e olhava estupefato para mim que chorava como criança.
Desta vez chorei um novo choro: não era alegria, felicidade, desespero, dor ou saudade – era só um tremendo alívio acompanhado pela culpa de um ditador pelo meu julgamento sumário e precoce, e sem direito à defesa!
Só não consegui sentir-me pior do que os agentes da lenta e elitizada justiça!


Borges.RJ
Contador de Histórias
borges.rj@globo.com