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sexta-feira, 11 de março de 2016

A Pólvora

   Um certo dia acordei mais velho. Eu sei que todos os dias acordamos mais velhos, mas naquele dia acordei mais chato, mais implicante, resmungão, em suma mais velho.

   Era cedo, ninguém mais acordado, e a necessidade imperceptível de implicar, latente em mim, me fez implicar com as palavras.

   A primeira vítima: pólvora. Você já implicou com palavras? Já percebeu que algumas soam fora do contexto? E percebendo isso o fato te incomodou?

   Pois é, impliquei e vou tentar ganhar adeptos para as minhas encrenquices. Repita a palavra “pólvora” e lembre: seus usos, seus efeitos, das guerras, canhões, lembre a história que ela escreveu, o barulho que ela faz quando exposta ao fogo.

   Não sei que nome eu daria àquele pó pretinho, feito por três ingredientes simples, mas não tão simples. Não conheça a fórmula e os resultados serão totalmente inesperados. 


   Você, leitor, tem alguma sugestão? Aquela pólvora produz barulho tão intenso que navios usavam um pequeno canhão (canhão de mão) só para anunciar ao porto sua chegada. Como o nome pode estar assim tão distante daquilo que designa?


   Mas vocês acham que é só a pólvora que merece a minha implicância. Que nada. Essa manhã encontrei muitas outras até que minha esposa acordou.

   Agora sim, eu tinha com quem implicar e deixei as palavras de lado. Mas você pode continuar implicando e me envie sua relação de palavras – com motivos para a implicância – que eu vou gostar.

   Sabem qual foi a primeira implicância com a esposa, foi ela me chamando de preconceituoso. Por que ser ranzinza não é a característica dos idosos, é simplesmente a minha característica, ou melhor, ela disse que eu sempre fui chato, implicante, resmungão, já na adolescência – nos conhecemos e aturamos (com muito amor) há uns 45 anos.

   Velhos, como eu denominei - disse ela concluindo - podem ser experientes, otimistas, agradáveis, simpáticos, preocupados, responsáveis, mas poucos, muito poucos são encrenqueiros e certamente foram, como eu, encrenqueiros de nascença.

   Ela acaba a discussão falando como se fosse de si para si, mas bem alto para que eu ouvisse. Vê se pode, implicar com as palavras! Isso é falta do que fazer.

   Tenho muito o que fazer, mas o que mais gosto é de brincar com as palavras. Boa pólvora para vocês. 

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domingo, 9 de agosto de 2015

Impactos Natalícios





Estava ansioso, agitado e apático numa espera atordoante. O tempo se arrastava e os minutos pareciam horas e me angustiavam. A notícia precedeu os fatos me dando alento e alívio. Ainda assim eu precisava estar ao lado da companheira da minha vida para ter paz de espírito.
Finalmente estávamos juntos. Nada mais me abalaria, eu acreditava nisso. Como somos diferentes das mulheres!
Ela, comigo ao seu lado, esperava calma a visitante que ela parecia já conhecer profundamente. Enquanto eu sentia crescer novamente todas aquelas indesejáveis sensações que entraram em ebulição com a visão daquela dádiva chegando por mãos estranhas embrulhada num pacote de tecido que mais parecia um casulo.
A esposa ao meu lado, depauperada, ainda sorria feliz e divertida com as minhas reações e expressões. O pacote me foi entregue e eu explodi dentro de mim mesmo.
Como descrever emoções para as quais nem os poetas inventaram palavras. Quando falamos que estamos com saudades as pessoas ao nosso redor entendem o que estamos sentindo. Mas não existe qualquer termo que possa resumir a explosão de sentimentos miscigenados dentro de um corpo, apesar de grande, muito pequeno para comportar tantas sensações e manifestações racionais e emotivas.
Nós, homens, nos tornamos pais quando pela primeira vez temos contato com nosso recém-nascido, mesmo acompanhando diuturnamente a evolução daquele ser no ventre materno e curtindo passo a passo sua evolução. Pelo menos comigo foi assim. Enquanto minha esposa recebia, de mim, em seus braços aquele minúsculo ser, uma cópia de nós mesmo, com se ela sempre estivesse consigo, eu ainda estava deixando fluir toda carga emocional e recebendo racionalmente o peso da responsabilidade daquele novo ser que sem qualquer manual, sem botão de liga/desliga me fora entregue.
Foi assim, no mesmo misto de intenso prazer indescritível e sentindo o peso da grande responsabilidade que Deus me confiava, que dois anos depois, novamente em agosto eu recebia um novo presente num invólucro de tecido que mais parecia um casulo: “Estava ansioso, agitado e apático...”
Hoje, lá se vão alguns anos e olhando o passado ainda me questiono se fui um depositário fiel dos esplendorosos patrimônios a mim confiados pela misericórdia divina, que nos permite a perpetuação eterna pelo advento da procriação.
Tenho orgulho de minhas filhas, dos belos seres humanos que elas se tornaram, das excelentes e dedicadas profissionais e das pessoas íntegras que valorizam a família, a igualdade entre as pessoas e seus pais, mas ainda me questiono quanto deixei de dar, de fazer, de apoiar, de estar junto, de ser pai nesta trajetória de aprendizagem que, na vida, jamais termina.

De qualquer forma vou comemorar sempre o mês de agosto que me deu uma leonina e uma virginiana para completar, engradecer e iluminar minha vida com felicidade e muito, muito amor.
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sábado, 8 de agosto de 2015

10 MEDIDAS CONTRA A CORRUPÇÃO

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quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Contar o Tempo?

     Nossos sentidos nos orientam e parte do que existe percebemos através deles. Para além de nossos sentidos percebemos uma outra parte entre outros meios pelo conjunto de fenômenos que norteiam o raciocínio. O tempo para ser percebido acaba entremeando estes dois campos.

     A percepção do tempo depende do fato que estamos vivendo e assim um mesmo segundo efêmero para os outros pode parecer eterno para alguém em determinadas circunstâncias tais como o risco de morte eminente, o momento de conquista de um objetivo, um precioso momento de amor.

     Todavia os fatos ficam registrados no tempo e nele são imutáveis e nunca mais se repete a não ser através da memória.

     Para registrar a passagem do tempo temos os dias, o clima e as estações climáticas, os astros... E o homem conseguiu conta-lo em unidades de medidas das mais diversas. 

     Mas, para que contar o tempo?

     Aguardo as respostas. 
Feliz 2015!
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sábado, 8 de novembro de 2014

Aniversário

Completo hoje 58 anos numa sucessão de boas-vindas e despedidas. Não que a vida se resuma a isso, mas talvez seja isso o que mais importa.

Recebido ao nascer, ao longo dos anos você recebe aqueles que vão entrando em sua vida sem que perceba. Como no princípio nada entendemos de morte e só conhecemos, normalmente, aquele ser que chamaremos de mamãe, segue-se um longo período de recepções e descobertas.

Certa vez percebi que geralmente sorrimos quando olhamos para uma criança no colo e imaginei que nosso sorriso talvez seja uma forma de esconder daquela criança o que a nossa sociedade reserva para ela. Percebi também que jamais comentamos perto dos nenéns seus pontos negativos e, se feia ou chata, escolhemos o que ela tenha de melhor, seja o sorriso, os cabelos ou os olhos para enaltecer – descobri que somos, todos, socialmente hipócritas.

As primeiras perdas logo começam a acontecer quando a sociedade nos impõe seus limites e não nos deixam ficar com o brinquedo do coleguinha. Mais tarde teremos que aceitar que as pessoas que gostamos podem não gostar da gente e preferir brincar, beijar ou namorar outra pessoa. Vamos aprender também a trocar ou ser trocado em nossas primeiras experiências sentimentais.

Assim, depois de boa parte do tempo dando boas-vindas, logo começam as despedidas. Aderem, ao nosso mundo, novos colegas e outros se vão. Uns deixam marcas e lembranças, outros nem isso.

Certamente teremos sensações marcantes como o nascer dos filhos e a morte dos pais e nos conformamos mais quando ocorrem nessa ordem.
Vamos vivendo de paixão em paixão, algumas serão eternas. Para muitos apaixonados a paixão mais eterna será pelo time que torcem e vejo aqui como o homem pode ser bom. Sim, porque mesmo se seu time passa vinte anos sem ganhar um campeonato seguimos sofrendo, torcendo, mas eternamente apaixonado por ele – apesar de sermos seu mais contundente crítico seremos sempre seu eterno defensor nas contendas com outros torcedores. O que nem sempre ocorre com o casamento – de parceiro podemos trocar. Nuances da humanidade.

Na passagem da vida vamos acumulando recordações e lembranças e, dizem, buscando a felicidade o que é, ao meu ver, uma incoerência. Esquecemos tão rápido as alegrias mas demoramos muito a esquecer magoas, mais ainda a perdoar.

As boas-vindas te seguem ao longo da vida, mas com o tempo começam as mais marcantes despedidas – é a proximidade da morte. E nela nem queremos pensar. Os cientistas, nem sei porque, tentam explicar. Quem disse que queremos falar sobre isso?

Hoje olho o longo caminho de meus passos, a ilha do presente e o mar do futuro nas suas mais diversas dimensões:

- Como indivíduo é muito difícil dizer-se realmente realizado, a vida nos impõe escolhas e muitas realizações sonhadas ficam pelo caminho. No meu caso nenhum arrependimento marcante.

- Enquanto membro de uma família, que aceito como célula máster da sociedade, felizmente vejo a minha e a dos que me cercam mais próspera e com mais qualidade de vida e concluo, com base exclusiva nas minhas experiências que evoluímos.

- Enquanto cidadão, olho para o mundo que conheci e para o que construí – sim, todos nós, mesmo sem perceber, influenciamos e moldamos nossa sociedade – e, infelizmente, não sei se deixo um mundo melhor para minha descendência.

No balanço social reside minha maior frustração. Vejo melhores meu bairro, minha cidade, meu estado e meu país – como evoluímos nestes quarenta e cinco anos (até os treze – 1969 - eu ainda estava aprendendo a ver)! Mas como não percebi que estava ajudando a criar uma sociedade tão injusta e egoísta?

Como motoristas mostramos bem nosso comportamento, mas como cidadãos somos ainda piores.

Estamos no século XXI e a vida alheia ainda é um simples detalhe onde só o que importa é a situação do nosso pequeno grupo familiar. Não nos importa, de fato, a miséria. Não nos importa, de fato, as oportunidades alheias (ou a falta delas). Não nos importa as guerras distantes e que não me afetam, a qualidade e oportunidade dos filhos dos outros. Não existe, em nosso tempo, um tempo que não seja usado egoisticamente na busca de patrimônio (ou sobrevivência), realização ou mesmo lazer pessoal.

Meu capital só pode servir as minhas causas. Nosso comportamento social continua seguindo a máxima: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”.

Ao completar felizes 58 anos, ao lado de minha lúcida mãe de 83 anos, compartilhando a vida com a esposa que conheci aos 15 anos e que ainda me surpreende e completa, bajulado e paparicado por minhas duas filhas, a mais nova com 31 anos e cercado por amigos bem próximos mesmo se distantes (alguns em outro plano, certamente ainda torcendo por mim), realizado até agora mas com muitos planos e projetos quero pedir a você que me lê um só presente de aniversário:


Busque a sua felicidade sem esquecer os mais próximos e tente promover também a felicidade deles. O mais próximo não está em outro país nem em outro estado. É aquele que cerca o seu cotidiano ou em sua casa, ou na sua rua, no seu local de trabalho ou por onde você passa sempre. Pense que se cada um de nós perdermos poucos minutos diários em favor do outro, investindo nos mais próximos, e isso se tornar uma corrente pelo menos ao seu redor as coisas vão ser realmente mais agradáveis.

Obrigado!

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sábado, 5 de abril de 2014

Sou Homem

Abro aqui um espaço para outro autor como forma de exercer minha responsabilidade social!

Quando nasci, meu avô parabenizou meu pai por ter tido um filho homem. E agradeceu à minha mãe por ter dado ao meu pai um filho homem. Recebi o nome do meu avô.

Quando eu era criança, eu podia brincar de LEGO, porque "Lego é coisa de menino", e isso fez com que minha criatividade e capacidade de resolver problemas fossem estimuladas.

Ganhei lava-jatos e postos de gasolina montáveis da HotWheels. Também ganhei uma caixa de ferramentas de plástico, para montar e desmontar carrinhos e caminhões. Isso também estimulava minha criatividade e desenvolvia meu raciocínio, o que é bom para toda criança.

Na minha época de escola, as meninas usavam saias e meus amigos levantavam suas saias. Dava uma confusão! E então elas foram proibidas de usar saias. Mas eu nunca vi nenhum menino sendo realmente punido por fazer isso, afinal de contas "Homem é assim mesmo! Puxou o pai esse danadinho" - era o que eu ouvia.

Em casa, com meus primos, eu gostava de brincar de casinha com uma priminha. Nós tínhamos por volta de 8 anos. Eu era o papai, ela era a mamãe e as bonecas eram nossas filhinhas. Na brincadeira, quando eu carregava a boneca no colo, minha mãe não deixava: "Larga a boneca, Juninho, é coisa de menina". E o pai da minha priminha, quando via que estávamos brincando juntos, de casinha, não deixava. Dizia que menino tem que brincar com menino e menina com menina, porque "menino é muito estúpido e, principalmente, pra frente". Eu não me achava estúpido e também não entendia o que ele queria dizer com "pra frente", mas obedecia.

No natal, minha irmã ganhou uma Barbie e eu uma beyblade. Ela chorou um pouco porque o meu brinquedo era muito mais legal que o dela, mas mamãe todo ano repetia a gafe e comprava para ela uma boneca, um fogãozinho, uma geladeira cor-de-rosa, uma batedeira, um ferro de passar.

Quando fiz 15 anos e comecei a namorar, meu pai me comprou algumas camisinhas.
Na adolescência, ninguém me criticava quando eu ficava com várias meninas.
Atualmente continua assim.

Meu pai não briga comigo quando passo a noite fora. Não fica dizendo que tenho que ser um "rapaz de família". Ele nunca me deu um tapa na cara desconfiado de que passei a noite em um motel.

Ninguém fica me dando sermão dizendo que eu tenho que ser reservado e me fazer de difícil.
Ninguém me julga mal quando quero ficar com uma mulher e tomo a iniciativa.

Ninguém fica regulando minhas roupas, dizendo que eu tenho que me cuidar.
Ninguém fica repetindo que eu tenho que me cuidar porque "mulher só pensa em sexo".

Ninguém acha que minhas namoradas só estavam comigo para conseguir sexo.
Ninguém pensa que, ao transar, estou me submetendo à vontade da minha parceira.
Ninguém demoniza meus orgasmos.

Nunca fui julgado por carregar camisinha na mochila e na carteira.
Nunca tive que esconder minhas camisinhas dos meus pais.

Nunca me disseram para me casar virgem por ser homem.
Nunca ficaram repetindo para mim que "Homem tem que se valorizar" ou "se dar ao respeito". Aparentemente, meu sexo já faz com que eu tenha respeito.

Quando saio na rua ninguém me chama de "delícia".
Nenhuma desconhecida enche a boca e me chama de “gostoso” de forma agressiva.
Eu posso andar na rua tomando um sorvete tranquilamente, porque sei que não vou ouvir nada como “Larga esse sorvete e vem me chupar”. Eu posso até andar na rua comendo uma banana.

Nunca tive que atravessar a rua, mesmo que lá estivesse batendo um sol infernal, para desviar de um grupo de mulheres num bar, que provavelmente vão me cantar quando eu passar, me deixando envergonhado.

Nunca tive que fazer caminhada de moletom porque meu short deixa minhas pernas de fora e isso pode ser perigoso.
Nunca ouvi alguém me chamando de “Desavergonhado” porque saí sem camisa.
Ninguém tenta regular minhas roupas de malhar.
Ninguém tenta regular minhas roupas.

Eu nunca fui seguido por uma mulher em um carro enquanto voltava para casa a pé.

Eu posso pegar o metrô lotado todos os dias com a certeza que nenhuma mulher vai ficar se esfregando em mim, para filmar e lançar depois em algum site de putaria.

Nunca precisaram criar vagões exclusivamente para homens em nenhuma cidade que conheço.

Nunca ouvi falar que alguém do meu sexo foi estuprado por uma multidão.

Eu posso pegar ônibus sozinho de madrugada.
Quando não estou carregando nada de valor, não continuo com medo pelo risco ser estuprado a qualquer momento, em qualquer esquina. Esse risco não existe na cabeça das pessoas do meu sexo.

Quando saio à noite, posso usar a roupa que quiser.
Se eu sofrer algum tipo de violência, ninguém me culpa porque eu estava bêbado ou por causa das minhas roupas.
Se, algum dia, eu fosse estuprado, ninguém iria dizer que a culpa era minha, que eu estava em um lugar inadequado, que eu estava com a roupa indecente. Ninguém tentaria justificar o ato do estuprador com base no meu comportamento. Eu serei tratado como VÍTIMA e só.

Ninguém me acha vulgar quando faz frio e meu “farol” fica “aceso”.

Quando transo com uma mulher logo no primeiro encontro sou praticamente aplaudido de pé. Ninguém me chama de “vagabundo”, “fácil”, “puto” ou “vadio” por fazer sexo casual às vezes.

99% dos sites de pornografia são feitos para agradar a mim e aos homens em geral.
Ninguém fica chocado quando eu digo que assisto pornôs.
Ninguém nunca vai me julgar se eu disser que adoro sexo.
Ninguém nunca vai me julgar se me ver lendo literatura erótica.
Ninguém fica chocado se eu disser que me masturbo.

Nenhuma sogra vai dizer para a filha não se casar comigo porque não sou virgem.

Ninguém me critica por investir na minha vida profissional.
Quando ocupo o mesmo cargo que uma mulher em uma empresa, meu salário nunca é menor que o dela.
Se sou promovido, ninguém faz fofoca dizendo que dormi com minha chefe. As pessoas acreditam no meu mérito.
Se tenho que viajar a trabalho e deixar meus filhos apenas com a mãe por alguns dias, ninguém me chama de irresponsável.

Ninguém acha anormal se, aos 30 anos, eu ainda não tiver filhos.

Ninguém palpita sobre minha orientação sexual por causa do tamanho do meu cabelo.
Quando meus cabelos começarem a ficar grisalhos, vão achar sexy e ninguém vai me chamar de desleixado.

A sociedade não encara minha virgindade como um troféu.

90% das vagas do serviço militar são destinadas às pessoas do meu sexo. Mesmo quando se trata de cargos de alto escalão, em que o oficial só mexe com papelada e gerência.

Se eu sair com uma determinada roupa ninguém vai dizer “Esse aí tá pedindo”.

Se eu estiver em um baile funk e uma mulher fizer sexo oral em mim, não sou eu quem sou ofendido. Ninguém me chama de "vagabundo" e nem diz "depois fica postando frases de amor no Facebook".
Se vazar um vídeo em que eu esteja transando com uma mulher em público, ninguém vai me xingar, criticar, apedrejar. Não serei o piranha, o vadio, o sem valor, o vagabundo, o cachorro. Estarei apenas sendo homem. Cumprindo meu papel de macho alpha perante a sociedade.
Se eu levar uma vida putona, mas depois me apaixonar por uma mulher só, as pessoas acham lindo. Ninguém me julga pelo meu passado.

Ninguém diz que é falta de higiene se eu não me depilar.

Ninguém me julgaria por ser pai solteiro. Pelo contrário, eu seria visto como um herói.

Nunca serei proibido de ocupar um cargo alto na Igreja Católica por ser homem.

Nunca apanhei por ser homem.
Nunca fui obrigado a cuidar das tarefas da casa por ser homem.
Nunca me obrigaram a aprender a cozinhar por ser homem.
Ninguém diz que meu lugar é na cozinha por ser homem.

Ninguém diz que não posso falar palavrão por ser homem.
Ninguém diz que não posso beber por ser homem.

Ninguém olha feio para o meu prato se eu colocar muita comida.

Ninguém justifica meu mau humor falando dos meus hormônios.

Nunca fizeram piadas que subjugam minha inteligência por ser homem.

Quando cometo alguma gafe no trânsito ninguém diz “Tinha que ser homem mesmo!”

Quando sou simpático com uma mulher, ela não deduz que “estou dando mole”.

Se eu fizer uma tatuagem, ninguém vai dizer que sou um “puto”.

Ninguém acha que meu corpo serve exclusivamente para dar prazer ao sexo oposto.
Ninguém acha que terei de ser submisso a uma futura esposa.

Nunca fui julgado por beber cerveja em uma roda onde eu era o único homem.

Nunca me encaixo como público-alvo nas propagandas de produtos de limpeza.
Sempre me encaixo como público-alvo nas propagandas de cerveja.

Nunca me perguntaram se minha namorada me deixa cortar o cabelo. Eu corto quando quero e as pessoas entendem isso.

Não há um trote na USP que promove minha humilhação e objetificação.

A sociedade não separa as pessoas do meu sexo em “para casar” e “para putaria”.

Quando eu digo “Não” ninguém acha que estou fazendo charme. Não é não.

Não preciso regrar minhas roupas para evitar que uma mulher peque ou caia em tentação.

As pessoas do meu sexo não foram estupradas a cada 40 minutos em SP no ano passado.
As pessoas do meu sexo não são estupradas a cada 12 segundos no Brasil.
As pessoas do meu sexo não são estupradas por uma multidão nas manifestações do Egito.

Não sou homem. Mas, se você é, é fundamental admitir que a sociedade INTEIRA precisa do Feminismo.
Não minimize uma dor que você não conhece.


Autora do texto: Camila Oliveira Dias

Compatilhando texto editado no FACEBOOK
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domingo, 5 de janeiro de 2014

Palavras Soltas

Espelho Alheio

Nada pior para uma mulher do que se permitir comparar com suas amigas. Ela passa a se espelhar em espelho alheio e a medir não apenas a beleza, mas status, personalidade, simpatia, atrativos e suas chances de superação. 
Não por inveja, pura competitividade feminina. 
Afinal os homens normalmente não percebem as luzes de seus cabelos, nem a cor de seus esmaltes.
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Traição

E da natureza do macho o instinto de espalhar sua semente genética. 
Não fosse dado às fêmeas seu espírito vingativo, curioso e atrevido os machos não teriam com quem trair, nem seriam traídos. 
Afinal elas preferem sexo com amor e só em desarmonia, ou insatisfeitas, ou inseguras, ou magoadas decidem trair com machos que as atraem. 
Logo, diante de tão grande elenco de motivos as mulheres traem mais com menos. Os homens variam e as mulheres conquistam seus machos.
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Magoada

Se você errou com ela fique atento ao volume de compras de sua esposa.
Se ela comprar mais de um traje - vai provocar;
Se ela estourou seu cartão de crédito - está entre insegura e ciumenta;

Mas se comprou três ou mais pares de sapatos - sai de baixo e espere desde vingança até separação com advogada especializada em escalpes e taxidermia.
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Estações

Apesar de não acreditarem as mulheres ficam exuberantes no final da primavera. 
No verão elas ficam: eufóricas, competitivas e assanhadas pela vida.
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O Nada

Calado no meu canto, matutando sobre as notícias rotineiras que dão conta das ações humanas que, quando não violentas contra o próprio homem, agridem a natureza sempre em nome de injustas e desmerecidas vantagens financeiras . 
Assim do nada e pelo nada a sociedade sucumbi sem ao menos discutir causas ou soluções para tais disparates onde, quanto mais rico o autor, mais aceitável o ato delituoso. 
Seja escravidão de operários ou poluição de mananciais.
É a primazia do nada: 
   Nada a declarar;
      Nada a defender;
         Nada porque lutar;
            Nada a combater. 
Nada, ao menos, a recriminar oportunamente.

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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Hoje é o Dia dos Cornos!


    
A frase se tornou famosa no FACEBOOK. Sempre um mais inocente a comenta confessando ser, para ele, uma novidade. A turma adora e cai em cima para consolar o infeliz com outra frase ainda mais famosa: - É que o corno é sempre o último a saber!


     Alguns defendem – WINKIPÉDIA, por exemplo – que é no dia 25 de abril, diz a enciclopédia:

“O Dia de Cornos, é uma festa profana celebrada no dia 25 de Abril, dia de São Marcos, nos Açores, principalmente nas Ilhas do Pico e Faial, e especialmente nas freguesias de São Mateus, em Madalena.1 e dos Cedros, no Faial.2
A celebração foi praticamente esquecida após o 25 de Abril de 1974, sendo que subsistem pequenas tradições relativas a essa festividade. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Dia_de_Cornos)”


     Um tema assim tão importante merecia uma pesquisa mais detalhada afinal muitos artistas, dos mais variados segmentos, se rendem ao tema sem receio dos rótulos. Assim, eu também, me aventurei. Acredito mesmo que finalmente todos vocês vão concordar comigo e entender porque é um dia tão difícil de determinar.


     Normalmente buscam a resposta no “todo poderoso anticristo”, o Google, como todo corno ele ainda não sabe. Mesmo tags como “dia d...” corno, cornos, infiel, infidelidade, infidelidade conjugal, traídos, ricardão, manso e os demais codinomes que o corno recebe país afora, voltam com respostas estapafúrdias – mania que os cornos como o Google têm para justificar sua cegueira em relação ao tema.


     Consultei mansos (cornos que sabem e alguns que até querem assistir), ricardãos, esposas e maridos traidores, testemunhas silenciosas e finalmente descobri. Fui então tomado pela dúvida se deveria contar a todos. O conhecimento do dia poderia acarretar, além de consequências comerciais, transtornos conjugais.


     Um corno, amigo meu, me garantiu que mesmo que tivesse essa informação permaneceria tranquilo pois confia em sua esposa. Percebi assim que corno é o último a saber por que apesar de todas as evidências ele insiste em não ver nem acreditar nos fatos. Por isso fiquem felizes, vou satisfazer a curiosidade geral e vocês agora vão entender porque a data nunca foi definida.


     O volume de cornos é tão grande, isso sem falar que os traidores podem trair com diversos parceiros a um só, que não existe um dia no ano para se comemorar o dia do corno. Nem data mensal como a primeira sexta-feira de cada mês. Nem mesmo uma data semanal! São duas: quartas-feiras e sábados! Afinal umazinha só por semana é pouco!


     Não me venham falar da sexta-feira – ela é consagrada a sacanagem universal e não à traição. Inclusive nas sextas-feiras muitos cornos transformam-se em swings. Sem nunca deixarem de ser cornos as quartas e sábados. Uma simples questão de mais prazer para o mais guloso da relação.

     
     Já sei, você não sabia e não vai acreditar! Adivinha por que?